Fotomontagem: Lucas Alexandre
Após um hiato de cinco anos, o nosso querido Teatro Carlos Câmara finalmente foi reinaugurado. A celebração foi linda e contou com a presença do governador Elmano de Freitas (PT), da secretária Luisa Cela, de representantes do Instituto Dragão do Mar (atual gestor do equipamento) e de uma verdadeira multidão de artistas. O cerimonial de abertura ocorreu em uma data simbólica e festiva: o Dia Nacional da Cultura, 5 de novembro.
Como disse a gestora cultural Vanéssia Gomes durante o ato de abertura:
“As portas estão abertas, o teatro está vivo. Viva a arte cearense!”
O Teatro está lindo, todo renovado, com uma energia vibrante. Também pudera: a equipe do TCC é um convite à esperança. Vanéssia Gomes, artista preparada, feita nos movimentos políticos culturais, está mais do que preparada para o desafio. Na produção, Renata Lima, que traz consigo uma vasta experiência adquirida no Festival de Guaramiranga, soma forças aos técnicos e demais colaboradores. Há tudo para que o trabalho flua. Mais um importante equipamento cultural para o Estado do Ceará.
Conforme declarou a secretária da Cultura, Luisa Cela, ao jornal O POVO (Vida & Arte, 8/11):
“O espaço recebeu um investimento de quase R$ 1,7 milhão, recurso do Governo do Estado do Ceará. O montante de R$ 1,1 milhão foi proveniente da Superintendência de Obras Públicas (SOP) para a parte estrutural, como elétrica e hidráulica. O restante, R$ 565 mil, foi disponibilizado pela Secretaria da Cultura para as demais necessidades.”
O TCC está com uma programação intensa. No último sábado (8/11), assisti ao espetáculo documental “Sertão Confederado”, da Cia. Prisma de Teatro (Fortaleza-CE), em parceria com o grupo Criar (Varjota-CE), uma união que tem rendido muitos frutos, com participações em diversos festivais no Ceará e fora do Estado. Os grupos integram a Rede Pávio (@rede.pavio), uma rede de grupos de teatro de pesquisa e ações continuadas do Nordeste.
Sobre o espetáculo
A Confederação do Equador no Ceará foi um movimento de caráter republicano e federalista ocorrido em 1824, que uniu a província cearense a Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte em oposição à autoridade de Dom Pedro I. No Ceará, o movimento teve como principais líderes Tristão Gonçalves e Padre Mororó, defensores de uma maior autonomia para a província. A revolta, contudo, foi duramente reprimida pelas tropas imperiais.
Foto: Thiago Américo
A direção do “Sertão Confederado” é assinada por Herê Aquino, não tinha como ser diferente: sucesso absoluto. Mulher talentosa, que acerta a mão e sabe fazer. Quando eu crescer, quero ser um pouco da Herê, e um tiquinho da versatilidade da atriz Gal Saldanha, que é uma força em cena. Na transição da narradora para as cenas, percebi alguns momentos um pouco lentos. Nada que comprometa o conjunto da obra. No mais, tudo funciona: luz, figurino e a música ao vivo (acho lindo).
Cia Prisma de Teatro
Cia Prisma de Teatro que está completando 40 anos de resistência. É chão! O grupo possui uma sede chamado de EPA- Espaço Popular de Artes no bairro Dias Macedo. O foco do grupo é pesquisar à cultura popular como linguagem.
Grupo Criar de Teatro
Esses meninos do Criar são danados! Já os vi em outro momento, no espetáculo “Cassaco”, com texto de qualidade assinado por Mailson Furtado. Ô turma boa! Salve o nosso interior, lindo e potente. Também há vida depois de Messejana! Anotem este nome: Maycon Wiliam. Esse ator ainda vai estourar nos streamings da vida, podem anotar minhas previsões. Ninguém segura esse “moleque”. O caba é bom! Quero levar esse menino pra casa. Para quem não sabe, há teatros de excelente qualidade no interior. Existe vida teatral além de Messejana.
+ Sertão Confederado
https://aleceplay.al.ce.gov.br/episode.php?id=1096
Atualmente, o Teatro Carlos Câmara (TCC) oferece uma ampla programação que inclui teatro, dança, artes visuais e outras linguagens artísticas. O acesso é gratuito. As entradas ficam nas ruas Dr. João Moreira, 471, e Senador Pompeu, 454, no Centro de Fortaleza, com funcionamento de quinta a domingo.
Mas aí vem o calcanhar de Aquiles: a rua.
A Fortaleza, que tantas vezes celebra sua arte, ainda esquece de fazer política pública para o espaço urbano.
É preciso entender o TCC de fora para dentro. A transformação precisa ser transversal — envolvendo a segurança pública e a infraestrutura urbana como parte integrante do teatro.
Pontos a melhorar no entorno urbano:
- Aumentar a iluminação pública nas ruas Senador Pompeu e Dr. João Moreira;
- Instalar guaritas da Polícia nas duas vias;
- Reabrir o portão de acesso pela Rua Senador Pompeu;
- Firmar parceria com a Encetur para uso de estacionamento;
- Manter programação frequente.
Saiu do forno
Na última terça-feira(11/11), saiu à sexta edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, a saber: mais de 30% dos brasileiros não consomem atividades culturais presencialmente devido a questões financeiras e a insegurança. Ou seja, a segurança pública no espaço urbano é um aspecto relevante a ser considerado ao pensarmos o deslocamento entre a casa e o teatro.
(Fonte da pesquisa: https://fundacaoitau.org.br/observatorio/dados/paineis-dados/dados-habitos-culturais)
Novas perspectivas
Acredito que esse caminho é possível. Com essa nova gestão, liderada por uma mulher da cena artística, o Teatro Carlos Câmara tem tudo para florescer novamente e trazer muitas alegrias para o campo da cultura no Ceará.
+ Informações
@ teatrocarloscamara_
@ ciaprismadeartes
@ grupocriardeteatro




