“Um amor astronômico – do mar ao sertão” leva teatro, circo e formação artística a quatro cidades cearenses

Escrito em 08/09/2026
Lucas Alexandre (@lucasalexandreator)

Projeto realiza apresentações gratuitas e atividades formativas em setembro, conectando diferentes territórios do Ceará por meio do teatro, da música e da educação artística


Foto: Tiago Lemos

Uma viagem do litoral ao sertão cearense tendo o teatro como ponto de encontro. É essa a proposta do projeto “Um amor astronômico – do mar ao sertão”, que circula por quatro municípios do Ceará durante o mês de setembro. Produzida pelo Grupo Marróia, a iniciativa leva o espetáculo infantil “Um amor astronômico”, oficinas de formação artística e ações de acessibilidade para Cruz, Camocim, Piquet Carneiro e Senador Pompeu. A programação é gratuita.

A circulação começa em Cruz, no dia 17 de setembro, com apresentação do espetáculo e atividades formativas. No dia seguinte, 18, o projeto chega a Camocim para a realização das oficinas, retornando ao município no dia 19 para uma apresentação. A viagem segue para o sertão, com atividades em Piquet Carneiro, no dia 24, e Senador Pompeu, no dia 25. A programação também inclui uma apresentação gratuita em Fortaleza, no Instituto dos Cegos, no dia 29 de setembro, com audiodescrição.

Mais do que levar uma montagem teatral para diferentes cidades, o projeto propõe uma circulação que combina fruição e formação. As oficinas realizadas nos municípios são voltadas principalmente para crianças e jovens e abordam diferentes linguagens artísticas. A intenção é ampliar o contato dos participantes com processos de criação e possibilitar que o público também experimente práticas relacionadas à produção artística.


“A gente acredita que a experiência cultural não termina quando as luzes da encenação se apagam. As oficinas são uma oportunidade para que as crianças possam experimentar, criar, imaginar e descobrir que elas também podem ocupar espaços de produção artística”, afirma Érica Cardoso, atriz, autora e produtora do projeto.

Uma história sobre diferenças a partir do universo

Em cena, “Um amor astronômico” utiliza elementos do teatro, da música e do circo para apresentar uma história inspirada nos corpos celestes. Sol, interpretado por Eri Passos, e Lua, vivida por Jaene Mariá, são personagens com características e personalidades diferentes. Ao longo da narrativa, eles contam com a ajuda de Terra, interpretada por Érica Cardoso, e Mercúrio, vivido por Mateus Honori, para compreender que as diferenças também fazem parte do equilíbrio do universo.

O espetáculo foi escrito por Érica Cardoso e Luís Costa, que também assina a direção. A narrativa aborda temas como respeito às diferenças, convivência, sustentabilidade e educação científica a partir de uma linguagem voltada ao público infantil.

A astronomia é utilizada como ponto de partida para aproximar as crianças de assuntos relacionados à ciência e ao planeta. Ao apresentar diferentes corpos celestes e suas características, a montagem estabelece relações com conteúdos como astronomia e geografia e, ao mesmo tempo, propõe uma reflexão sobre a maneira como os seres humanos convivem entre si e com o meio ambiente.

A história também chama atenção para as consequências das ações humanas sobre a natureza e para o papel das novas gerações na construção de alternativas para o presente e o futuro.

Cenografia adaptada para espaços abertos

A circulação foi pensada para ocupar diferentes espaços, inclusive ambientes que não contam com a estrutura convencional de uma sala de teatro. Para isso, a montagem utiliza uma cenografia modular assinada por Ana Vitória Almeida.

O cenário é composto por cinco módulos construídos em metalon e revestidos com cortinas, além de elementos como lanternas japonesas. Os planetas são representados por diferentes componentes cênicos, enquanto a iluminação em LED contribui para a composição visual das apresentações.

A estrutura permite que o cenário seja adaptado aos espaços que recebem o projeto, facilitando a realização das apresentações em diferentes municípios e aproximando a montagem de públicos que nem sempre têm acesso regular a equipamentos culturais.

 



Foto: Tiago Lemos

Acessibilidade para além do palco

As ações de acessibilidade integram a circulação e são realizadas em parceria com o Grupo Bandeira das Artes. Entre as atividades previstas está a apresentação no Instituto dos Cegos, em Fortaleza, no dia 29 de setembro, que contará com audiodescrição.

O projeto também prevê a produção do audiolivro “Um amor astronômico”, que será disponibilizado gratuitamente em plataformas digitais. A iniciativa amplia as possibilidades de acesso à história e permite que o conteúdo alcance pessoas que não estarão presentes nas apresentações.

A inclusão desses recursos acompanha a proposta de ampliar a participação de diferentes públicos nas atividades culturais e de incorporar a acessibilidade à circulação desde sua concepção.

Do litoral ao sertão

A escolha das cidades que integram a circulação também está relacionada à proposta de descentralização cultural. Ao percorrer municípios do litoral e do sertão, o projeto leva uma produção autoral cearense para diferentes territórios e amplia o contato de crianças e comunidades com o teatro e outras linguagens artísticas.

“É muito simbólico para nós percorrer esse caminho do mar ao sertão. Estamos levando um espetáculo feito por artistas cearenses para crianças que, muitas vezes, não têm a oportunidade de assistir a uma peça de teatro. E fazemos isso entendendo que cultura não é privilégio: é direito”, afirma Luís Costa, autor, diretor e produtor do projeto.

A expectativa da organização é alcançar aproximadamente duas mil pessoas entre as apresentações e as atividades formativas. A circulação busca, assim, criar oportunidades de contato com a produção artística e estimular experiências de criação nos municípios visitados.

 



Foto: Tiago Lemos

Espetáculo já circulou pelo interior do Ceará

“Um amor astronômico” já teve uma experiência anterior de circulação pelo interior do Estado. Em 2024, o espetáculo realizou atividades em Acopiara, com apresentações na sede do município e também nas localidades rurais de Barra do Ingá e São Paulinho.

A iniciativa levou a montagem a comunidades fora dos grandes centros e ampliou o acesso de crianças e jovens a uma produção teatral voltada ao público infantojuvenil.

Agora, o projeto “Um amor astronômico – do mar ao sertão” amplia esse percurso. Ao conectar cidades do litoral e do sertão, a circulação utiliza a arte como forma de aproximar diferentes públicos de uma produção teatral cearense e, ao mesmo tempo, oferecer atividades de formação artística.

Serviço

O quê: Projeto “Um amor astronômico – do mar ao sertão” e espetáculo infantil “Um amor astronômico”
Quem: Grupo Marróia
Quando: 17 a 29 de setembro de 2026
Onde: Cruz, Camocim, Piquet Carneiro, Senador Pompeu e Fortaleza
Ingressos: Gratuitos
Acessibilidade: Ações de acessibilidade durante a circulação e apresentação com audiodescrição no Instituto dos Cegos, em Fortaleza

Programação

17 de setembro – Cruz/CE
Apresentação do espetáculo e oficinas formativas.

18 de setembro – Camocim/CE
Atividades formativas.

19 de setembro – Camocim/CE
Apresentação do espetáculo.

24 de setembro – Piquet Carneiro/CE
Apresentação do espetáculo e oficinas formativas.

25 de setembro – Senador Pompeu/CE
Apresentação do espetáculo e oficinas formativas.

29 de setembro – Instituto dos Cegos, Fortaleza/CE
Apresentação gratuita com audiodescrição.

Ficha técnica

Elenco: Eri Passos, Jaene Mariá, Mateus Honori, Érica Cardoso e Luís Costa (ator substituto)
Texto: Érica Cardoso e Luís Costa
Direção: Luís Costa
Músicas: Mateus Honori
Produção: Grupo Marróia
Assistente de produção: Marlene Lemos
Fotografia: Tiago Lemos
Designer gráfico e videomaker: Marcos Rian
Contrarregras: Cíntia Marilac
Cenografia: Ana Vitória Almeida
Figurinos: Amidete Aguiar
Acessibilidade: Grupo Bandeira das Artes
Apoio técnico: Mayara Braga
Apoio cultural: Grupo Comédia Cearense, Mais Plateia e Academia Cearense de Teatro

Realização: projeto apoiado pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria da Cultura do Ceará, com recursos provenientes da Lei Federal nº 14.399, de julho de 2022.


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