Ópera de Arame de Curitiba cancela espetáculo que criticava a atuação da Igreja em casos de pedofilia

Escrito em 07/07/2026
Lucas Alexandre (@lucasalexandreator)

Atriz Rafaela Azevedo afirma que suspensão ocorreu por causa do conteúdo da peça; concessionária nega e atribui decisão a questões contratuais.
 


Foto: @luqdias

A apresentação do espetáculo A Igreja da Fran, da atriz e palhaça Rafaela Azevedo, foi cancelada na Ópera de Arame, em Curitiba, onde estava marcada para o dia 23 de agosto. A artista afirma que a decisão representa um caso de censura, por considerar que a montagem aborda temas sensíveis relacionados à Igreja Católica. Já a concessionária responsável pela administração do espaço nega a acusação e afirma que o cancelamento ocorreu exclusivamente por questões contratuais.

Segundo Rafaela Azevedo, o espetáculo já contava com contrato assinado, divulgação em andamento e cerca de 200 ingressos vendidos. A peça discute assuntos como casos de pedofilia na Igreja, a isenção fiscal de instituições religiosas e passagens bíblicas interpretadas pela autora como misóginas. Após o cancelamento, a artista informou que procura outro teatro em Curitiba para receber a montagem e garantiu que os ingressos adquiridos serão reembolsados.

Em nota, a Fundação Cultural de Curitiba afirmou que não interfere na programação da Ópera de Arame, destacando que o equipamento cultural é administrado, desde 2012, por meio de concessão à iniciativa privada. A concessionária DC Set, por sua vez, declarou que a decisão foi motivada apenas por questões contratuais e negou qualquer relação com censura. A empresa não informou se existe possibilidade de remarcar a apresentação.

A Igreja da Fran integra uma trilogia criada por Rafaela Azevedo. O projeto teve início com King Kong Fran, que ultrapassou 400 apresentações e reuniu cerca de 150 mil espectadores. Assim como a primeira montagem, o novo espetáculo foi viabilizado por financiamento coletivo, sem utilização de leis de incentivo à cultura.

Na obra, a personagem Fran utiliza o humor para refletir sobre o papel institucional da Igreja e sua influência na sociedade. Segundo a autora, o objetivo não é questionar a fé individual, mas estimular o debate sobre religião, Estado laico e estruturas de poder. A peça corresponde ao segundo capítulo de uma trilogia que aborda patriarcado, religião e política, sendo este último tema previsto para um futuro espetáculo.

 

 


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